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«A Escola católica tem um contributo incrível a dar ao mundo», Joaquim Azevedo

Especialista criticou modelo “com mais de 200 anos” e pediu às instituições católicas “foco e menos distração” na mudança de paradigma necessária na educação

Joaquim Azevedo afirmou hoje, em Fátima, ser difícil uma mudança radical nas escolas, enredadas por um sistema com mais de duas centenas de anos e para o qual “ainda não existe um contraponto suficientemente forte”.

“É muito difícil mudar a escola. Mesmo muito complicado. O modelo moderno de educação escolar tem mais de 200 anos. Os princípios, a estruturação, o programa institucional é o mesmo. O problema é que não temos alternativa a este modelo e ele só cairá quando tivermos um outro que o confronte. Este modelo vai continuar, mesmo que em marcha atrás, até ao próximo século”, lamentou no final da V Jornada Pedagógica organizada pela Associação Portuguesa de Escolas Católicas.

Num olhar sobre a realidade das escolas portuguesas, o antigo secretário de estado da educação afirmou a ideia de que existe hoje “muita solidão” que a pandemia veio agudizar.

“Hoje as escolas estão sós. As plataformas digitais criaram um isolamento maior em relação à tutela e isso trouxe mais isolamento. Se juntarmos a isto uma classe, a dos professores, que estão cansados e desiludidos, percebemos que os tempos que aí vêm não vão ser fáceis”, desenvolveu.

Olhando para as várias experiências que algumas instituições de ensino vão realizando Joaquim Azevedo alertou para “experimentalismos estéreis” e para “um sistema que tudo absorve”.

“Construir um projeto consistente demora muitos anos porque a escola, como realidade, é única. Não existe nada comparável na vida social. O sistema absorve qualquer experimentalismo e ainda se ri! O mais fácil é desistir, e é isso que acontece com a maior parte dos projetos. Se tivermos dúvidas disto vejamos a questão da autonomia curricular”, alertou.

Às escolas católicas o professor universitário desafiou a “não terem medo” de “buscar a fidelidade” ao “projeto e ao perfil do aluno que pretendem educar”.

“As escolas católicas distraem-se muito com modelos externos e com o estado, que tomam como seu dono. Desfocam-se imenso perdem-se mais nos experimentalismos e menos na entreajuda. Existe, ainda assim, um caminho longo feito. É um caminho em busca de fidelidade que é pouco conhecido e reconhecido pelas outras escolas”, considerou.

Para que as escolas católicas tenham futuro Joaquim Azevedo sustenta a necessidade de “reconstruir as razões da nossa esperança”, num perfil de aluno que “deve constituir-se como ‘o norte’ da educação católica”.

“Temos que trabalhar numa escola com cada um e com cada uma. Não acredito em princípios universalistas e pouco realistas. Se queremos um aluno com determinadas características precisamos de acreditar num outro horizonte. Sem isto fica tudo inconsistente e incoerente. As escolas católicas tem um contributo incrível a dar ao mundo de hoje”, concluiu.

A V Jornada Pedagógica da Escola Católica reuniu, em Fátima, mais de duas centenas e meia de professores sob tema «Uma Avaliação Pedagógica ao Serviço do Desenvolvimento Humano». A iniciativa é responsabilidade da Associação portuguesa de Escolas Católicas (APEC) e resulta da parceria com a Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), da Universidade Católica, pólo do Porto, e a colaboração do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).

Educris|01.07.2022



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