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Educação: «A avaliação deve despertar o melhor de cada um», Ilídia Cabral

Especialista em educação sustentou a necessidade de um “novo olhar” sobre a avaliação dos alunos nas escolas portuguesas

Ilidia Cabral, professora da Faculdade de Educação e Psicologia, da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, afirmou hoje a “necessidade de se repensar o modo como se avalia”, largando o paradigma “do princípio, meio e fim” e adotando “um sistema sistemático que ajude a aprender a retirar o melhor de cada um, em cada momento”.

“A nossa prática avaliativa ainda é demasiadamente diretiva, como nos indica a própria OCDE. Mesmo o esforço louvável de dar feedback aos alunos, centra-se, amplamente, na avaliação sumativa e menospreza, não poucas vezes, a avaliação formativa que respeita o ‘tempo para aprender’ dos alunos”.

Na conferência «Uma avaliação ao serviço do desenvolvimento humano», integrada na V Jornada Pedagógica das Escolas Católicas, que hoje se realiza em Fátima, a docente sustentou a tese de que o sistema de avaliação é “um tripé complexo” que não se deve esgotar “num conjunto de estratégias ou na quantificação de recursos avaliativos”, sob pena dos alunos “apenas aprenderem o desanimo”.

“Hoje, muitas vezes, a avaliação está ao serviço de um desanimo aprendido, no qual os alunos se percebem incapazes de aprender e aprendem, apenas, o desânimo, tornando-se inativos. Talvez hoje, para muitos alunos, esta seja a maior aprendizagem que fazem na escola. Descobrir que não são capazes”, lamentou.

Para Idília Cabral “a ação do professor” será tão mais eficaz quanto mais “colaborativa com os alunos e dotada de uma visão de conjunto com os pares”.

“Temos que trabalhar em rede. As equipas pedagógicas têm de se tornar lugares de partilha e de colaboração para fazer os alunos aprender. Ainda vivemos num paradigma individual, no processo de ensinar e aprender, que estimula o funcionamento em ‘caixas’ das instituições de ensino. Dividimos os alunos administrativamente por turmas e não pelas diferentes necessidades que vão surgindo no processo de aprendizagem desejado”.

Falando para as mais de duas centenas e meia de professores das Escolas Católicas, em Portugal, a especialista lembrou “a missão singular” destas instituições de ensino e considerou que estas devem ter, como horizonte, o próprio magistério da Igreja que advoga a educação com o fim de “ajudar a desenvolver pessoas capazes de tomar decisões livres” e que “abre as novas gerações a uma vida plena”.

Educris|01.06.2022



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