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D. Daniel Henriques desafia docentes a propor «aprendizagens culturalmente elevadas»

Responsável católico agradeceu trabalho dos professores de EMRC e mostrou-se “admirador” das aprendizagens essenciais da disciplina

D. Daniel Henriques afirmou, às equipas de reelaboração dos manuais da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), a sua “admiração” pelo trabalho realizado, “quer nos manuais” quer no “trabalho que realizais nas escolas”.

“Desde o primeiro ano de pároco que sempre estive atento àquilo que os jovens e crianças da catequese aprendiam em EMRC. Cheguei mesmo a usar algumas unidades letivas, com os mais velhos, em contexto pastoral”, revelou.

Presente no primeiro encontro de trabalho, que decorreu em Alfragide, no passado dia 8 de outubro, o vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã (CEECDF) desafiou os docentes neste trabalho “fundamental” e que deve “ajudar a tocar o coração, despertar a vontade e esclarecer a inteligência”.

“Devemos conquistar os alunos pela beleza. Os manuais estão bonitos e devem sê-lo não apenas nas imagens, mas também nos textos escritos. É importante não infantilizar os alunos e não ter receio de os elevar”, apontou.

Para o também bispo auxiliar de Lisboa, os manuais em reedição devem ter em conta “o dado cultural” e partir da “realidade dos alunos”.

“Não deveis ter medo de propor algo culturalmente elevado. Fazeis já isto bem através das obras de arte e da música, por exemplo. É preciso partir da realidade concreta em que se encontram”, desenvolveu.

Consciente de que elaborar recursos pode ser “um trabalho muito teórico”, o prelado convidou os docentes a ter sempre “os olhos e o coração nos alunos das vossas escolas”, e a ser capaz “de traduzir o discurso teológico para o hoje de cada um”.

“Quando estiverdes neste trabalho lembrai-vos deles: Como é que chego aos meus alunos concretos, do dia a dia. Preocupai-vos com uma linguagem capaz de traduzir os conceitos da teologia e da filosofia. Uma linguagem simples, sem grande complexidade e clara, para que o crer da Igreja não soe a algo postiço, colocado no meio dos diferentes conteúdos como uma prótese”, apelou.

Perante a multiculturalidade e as diferentes visões presentes nas sociedades hodiernas, D. Daniel Henriques pediu manuais capazes de apresentar “um contraponto”, sem parecer “um combate aguerrido”, mas que mostrem “com clareza e razoabilidade” as várias faces da verdade.

“Um último desafio que vos deixo passa pelo conhecimento dos outros manuais. Daquilo que se ensina nas outras áreas do conhecimento. Que a EMRC possa ser contraponto. Não como quem faz um combate aguerrido, mas como quem apresenta um olhar diferenciado, capaz de gerar diálogo e de provocar o pensamento acerca da visão que se tem sobre si, e sobre o mundo. Trata-se de, em diálogo, ajudar os alunos a adquirir uma visão mais completa sobre a realidade”, reforçou.

No final da sua partilha o bispo da CEECDF convidou os docentes a serem educadores “ao jeito de Jesus” que “está atento a cada um e se preocupa com o crescimento pleno dos alunos”.

“Os manuais devem contribuir para tocar o coração, despertar a vontade e despertar a inteligência”, concluiu.

Educris|15.10.2022



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